11 set,2014

Marcadores: A Torre Acima do Véu, Giz Editorial, Resenhas, Roberta Spindler

Torre acima do veu_capaAutora: Roberta Spindler.
Editora: Giz Editorial.
Ano: 2014.
Páginas: 272.

Quando uma densa e venenosa névoa surge misteriosamente, pânico e morte tomam conta do planeta. Os poucos sobreviventes se refugiam no topo dos megaedifícios e arranha-céus das megalópoles. Acuados, vivem uma nova era de privações e sob o ataque constante de seres assustadores, chamados apenas de sombras. Suas vidas logo passaram a depender da proteção da Torre, aquela que controla os armamentos e a tecnologia que restaram. Cinquenta anos se passam, na megacidade Rio-Aires, Beca vive do resgate de recursos há muito abandonados nos andares inferiores, junto com seu pai e seu irmão. A profissão, perigosa por natureza, torna-se ainda mais letal quando ela participa de uma negociação traiçoeira e se vê cada vez mais envolvida em perigos e segredos que ameaçam muito mais do que sua vida ou a de sua família.

Guess what? Estou aqui para falar sobre mais uma distopia com vocês, só que dessa vez ela é mais do que especial porque a resenha é sobre uma distopia nacional da autora Roberta Spindler! Vou ser honesto aqui e falar que não conhecia o trabalho da Roberta antes de conversar com o Leo do Um Leitor a Mais (que por sinal faz a voz de Emir, personagem do livro, em algumas transmissões para divulgação do livro e que vocês podem ouvir clicando aqui), assim que ele me apresentou o livro eu fiquei com vontade e assim que o vi na Bienal do Livro de SP eu tive com comprá-lo, pegar meu autógrafo e tirar uma foto com a Roberta que é um amor e super simpática.

Megacidades e blocos econômicos dominam o mundo e mesmo com as melhores e mais avançadas tecnologias os humanos não conseguiram evitar a Névoa, uma misteriosa névoa que tomou conta de todas as cidades do mundo causando doenças e mortes em milhões de pessoas, os únicos lugares que estavam livres da névoa eram os topos dos magaedifícios. Mais de cinquenta anos se passaram desde a propagação da Névoa e o que restou da humanidade agora vivem restritamente nos andares não afetados desses megaedificios.

A cidade Rio-Aires é controlada pela Torre que não controla só a cidade, mas também todos seus moradores e em troca ela fornece a seus cidadãos proteção e comida. É em Rio-Aires que conhecemos Rebecca, ou Beca para os íntimos, a personagem principal da do livro. Junto de seu pai e irmão, Beca trabalha coletando objetos e coisas importantes nos andares inferiores e mais próximos da névoa. O trabalho é perigoso, muitas vezes Beca encarou com os Sombras e seus cães horripilantes, mas sempre conseguiu sair ilesa já que ela é uma das pessoas que sofreram uma “mutação” com a névoa dando-lhe habilidades acrobáticas fora do comum. É durante uma dessas buscas que a trama principal do livro chega até Beca, ela irá descobrir como a Torre realmente age e toda a verdade sobre a névoa que destruiu a humanidade.

Torre

De começo achei que tinha informações demais para serem absorvidas, como vocês podem ver eu usei três parágrafos enormes para tentar resumir um pouco do enredo do livro, mas assim que passaram as primeiras páginas e eu consegui absorver todas as informações a leitura leitura fluiu de um jeito que era quase impossível parar.

Narrado em terceira pessoa e grande parte do tempo focado apenas em Beca o livro  é muito bem estruturado e romance, drama, ação, aventura, mistério e suspense tudo tem o seu tempo e em um nível bem igualado. O problema de muitas distopias é que os autores tendem a colocar coisas demais (seja ação, romance ou mistério) e acabam esquecendo de outras coisas que são essenciais para a leitura não ficar sempre na mesma e não deixar o leitor saturado de mais do mesmo. Bom, só digo para vocês que A Torre Acima do Véu passa bem longe de ser mais um desses livros que sempre tem mais do mesmo.

Torre3

Os personagens são bem descritos e muito bem construidos, desde os mais importantes até aos menos citados. Beca é daquele tipo que se faz de durona, aparenta não ligar para nada e é completamente ao contrário, coisas que aconteceram no passado ainda afetam sua vida e a maneira como enfrenta seus obstáculos. Gostaria de poder falar sobre outros personagens como seu pai, Edu, Rato, Emir e Bug, mas entregaria muita coisa que são melhores serem descobertas sem o leitor saber de nada, apenas saibam que Roberta criou um time forte de personagens para A Torre Acima do Véu.

O livro contém muitas surpresas, tipo muitas mesmo, a maioria das surpresas eu não estava esperando ou nem tinha chegado a pensar que tal coisa poderia acontecer. Há uma revelação lá no final do livro que me deixou boquiaberto, eu não estava esperando e não tinha nem se quer imaginado tal coisa… Obrigado Roberta, eu amo ser surpreendido <3 Ah o final foi bem satisfatório, a autora jogou uma bomba ali que apenas será explorada em uma futura continuação que eu realmente espero que tenha… Vai ter, né Roberta? :D

Falei muito mas sinto que falei pouco, gostei tanto do livro que realmente não consigo achar nada de ruim a não ser a porrada de informações logo no começo do livro que apesar de desacelerarem um pouco a leitura, elas são essenciais para a história. Para amantes de distopias que querem ler algo completamente diferente e inovador “A Torre Acima do Véu” é a escolha certa. Tenho certeza que irão adorar!

Ótimo.
 



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Postador Por:Igor Soares 6 Comentários
09 set,2014

Marcadores: Lois Lowry, O Doador de Memórias, Resenhas

o-doador-de-memoriasAutora: Lois Lowry.
Editora: Arqueiro.
Ano: 2009.
Páginas: 192.

A sociedade em que vive Jonas é a perfeita descrição do mundo perfeito. Tudo está sob controle: não há cores, não há música, não há guerras nem possibilidades de eleição. Cada pessoa ajusta-se às Normas da sua Comunidade. Quando Jonas atinge os 12 anos e deve ser-lhe atribuída uma profissão, é eleito para uma função muito especial e única na sua comunidade. Na sua formação descobrirá as verdades subjacentes à frágil perfeição do seu mundo.

Não é novidade que eu sou um super fã de distopias, não é mesmo? Desde que conheci e amei o gênero eu tento ler todas as distopias possíveis e no meio de uma procura eu acabei encontrando “O Doador”, já fiquei sabendo que iria virar filme e até assisti o trailer e foi aí que eu percebi que eu precisava ler essa distopia.

Quem é que nunca pensou em viver sem sofrer dores, amores e tantas outras divergências da vida? Quem é que nunca se imaginou em uma sociedade onde tudo é perfeito, todos trabalham com o que gostam, fazem o que gostam e estão sempre felizes? Temo por você mero mortal, porque assim como você eu também já pensei em tudo isso, mas infelizmente não é possível né? Pelo menos não em nosso mundo…

Jonas mora em um mundo perfeito, não sabe o que significa dor, nunca sentiu fome nem medo, sempre esteve feliz com a vida e com a sua família. Pela primeira vez ele está apreensivo, o dia em que completará 12 anos está chegando e junto com esse dia virá também o trabalho que ele será designado para o resto de sua vida, assim como todas as crianças são treinadas e observadas desde pequenas para assim serem sabiamente enviadas para o trabalho perfeito de acordo com suas características. Para surpresa de Jonas ele é escolhido para ser um recebedor o que ele não faz ideia do que é até conhecer o Doador, ele descobre que antes de seu mundo se tornar perfeito houveram muitas dores, guerras e desigualdade e agora sendo um recebedor ele irá receber todas essas lembranças. Isso fará com que ele sinta coisas que nunca sentiu antes, ver as coisas com uma intensidade e cores que nunca viu antes e é claro, o fará questionar o modo que sua sociedade vive.

(…)Sabia que houve ocasiões no passado, em épocas terríveis, em que as pessoas destruíram as outras apressadamente, por medo, e isso resultou na sua própria destruição.

Logo no começo eu me deparei com uma escrita muito gostosa de ler, Lois não se preocupa em parar para detalhar tudo ao redor do personagem sua escrita faz isso muito bem, mesmo com poucas palavras. A narração é em terceira pessoa sempre focada na vida de Jonas e tudo o que acontece com ele, não sei mas acho que gostaria ainda mais se algumas vezes o foco mudasse para outros personagens, talvez assim o livro seria mais explorado, achei que tudo aconteceu muito rápido e que muitas coisas foram deixadas para trás para chegar logo no final. Um final que eu ainda não consegui engolir, o livro literalmente acaba do nada, no meio de uma cena de ação e nós não ficamos sabendo o que acontece realmente com Jonas, o que nos resta é analisar os últimos acontecimentos e tirar uma conclusão por si só.

O livro é curto, a história é rápida então não houve muito tempo para o desenvolvimento de personagens, além do Jonas eu não senti emoção por nenhum outro personagem… Tem o Gabe, mas acho que o que eu senti por ele foi por causa do Jonas, então não conta muito como desenvolvimento. Mas Jonas é bem trabalhado e apesar de tudo acontecer muito rápido, eu achei que ele amadureceu bastante desde o começo até o final do livro.

 - Sinto um pouco de pena dele – disse Jonas -, mesmo sem ao menos o conhecer. Tenho pena que qualquer pessoa que está num lugar onde se senta esquisita e burra.

Para a minha surpresa e de muitos também o livro não é novo não, ele foi publicado originalmente lá em 1993! Eu não tinha nem nascido! E analisando as distopias atuais é muito fácil notar que muitas delas tem um Q de inspiração em O Doador, não estou dizendo que elas necessariamente são cópias, mas sim que é notavel a inspiração que os autores tiveram. Eu como um amante de distopias adorei saber onde tudo começou!

O que eu realmente não gostei foi a rapidez que autora começou o terminou o livro, a história tinha tanto potencial e apenas um terço foi explorado, senti muita falta de várias coisas e plot twists, porque o que tem não é tão chocante assim. Achei que do meio pro final tudo foi escrito às pressas e muitas coisas foram deixadas para trás. O livro tem mas três continuações, mas nenhuma delas são no ponto de vista do Jonas e confesso que isso me desmotivou a querer ler o resto…

Para os amantes de distopias O Doador de Memórias é um livro essencial e tenho certeza que muitos irão adorar, mas como senti falta de muita coisa no enredo, coisas que outras distopias tem de monte, isso pesou um pouco na hora da classificação desse livro. Apesar de tudo, essa é uma leitura mais do que recomendada!


Bom
 



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Postador Por:Igor Soares 7 Comentários
08 set,2014

Marcadores: Bienal do Livro, Chegou Pra Mim, Vídeos

No vídeo mostro todos os livros adquiridos na Bienal do Livro de São Paulo e comento um pouco sobre como foi surreal encontrar amigos e leitores por lá. Abaixo você encontrará todos os livros e suas respectivas sinopses:
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Postador Por:Igor Soares Comentários